

Olá galera... Estamos com problemas técnicos, mas tentando resolver. Se der tudo certo, ainda essa semana você poderá conferir alguns comentários, críticas e afins.
Abraços!

Se todas as comédias românticas fossem como “O Amor Custa Caro” (Intolerable Cruently, 2003), seria muito mais agradável e prazeroso alugar e e gastar seu tempo do final de semana com filmes do gênero.
Os irmãos Joel e Ethan Coen, diretor, produtor, respectivamente, e roteiristas poderiam dar algumas aulas para Sandra Bullock, Julia Roberts e diretores picaretas de como fazer um bom filme nesse gênero sem precisar produzir sacarina e elevar a venda de lenços.
O Amor Custa Caro exala charme quando o casal de protagonistas George Clooney e Catherine Zeta-Jones, dividem a tela. Ele vive Miles Massey, um bem sucedido advogado em causas matrimonias. Ela é Marylin Rexroth, que tem como hobby colecionar maridos ricos e faz questão de leva-los ao tribunal e ficar com boa parte da fortuna.
Os diálogos são deliciosos e bem humorados, de uma sutileza impar que os Coen conseguem levar até as ultimas linhas sem apresentar uma comedia boba ou escatológica. Pelo contrario, são tão de bom gosto que parece estar em cada polegada dos personagens.
Clooney se mostra à vontade e caricato na pele do advogado que acaba sendo a nova mira de Marylin, pelo simples fato de te-la deixado sem nenhum centavo, ao defender um de seus maridos. Mas o amor pode paracer algo mais que negócios...
As risadas estão garantidas com cenas como a do assassino na casa de Miles ou por conta de Wrigley (interpretado por Paul Adelstein) assessor de Miles,uma pessoa sensível a casamentos.
Os filmes de teor humorístico vêm perdendo sua simpatia e ingenuidade graças a filmes como American Pie, Debi e Lóide e Prefessor Aloprado 2 (este uma das piores comedias já feitas) que sustetam pouco mais de 90 minutos sobre piadas de mau gosto, interpretações sofríveis e sexo. São exemplos de produções esquecíveis que atinge basicamente o público pré-adolescente, ávido por tudo que seja considerado contra o “sistema”. Eis que O Amor Custa Caro vem aliviar todos àqueles que gostam de uma boa comedia à moda antiga, feita para rir não sentir nojo. Filme este que parece espontâneo, levando em consideração que se trata de um filme dos Coen, mestres em deixar a realidade menos fria e com uma bizarrice aprazível.
Nota: 8.0

Uma perseguição que dura mais de 60 anos de um gato e um rato, divertiu, e ainda diverte, várias gerações. Tom e Jerry é visto (e adorado) por pessoas de todas as idades até hoje.
Tudo começou em 1939, quando o produtor da Metro-Goldien-Mayer (MGM), Fred Quimbs pediu a dois de seus talentosos funcionários criar um curta metragem em animação para ser projetado no cinema antes dos filmes de longa metragem. Foi nessa empreitada que Willian Danby Hannah e Joseph Roland Barbeira começaram sua carreira meteórica e brilhante, que além de criar o gato Jésper, que perseguia um gato sem nome, deram vida aos Flintstones e aos Jetsons.
O sucesso de “Jéster e o Rato” foi imediato, porém não soava legal o nome (ou a falta de) dos personagens. Foram rebatizados de Tom e Jerry, e o desenho foi produzido por dezoito anos ininterruptos, mostrando perseguições, muitas vezes violentas, ao som de um bom jazz ou Big Bands.
Na primeira metade dos anos 50 veio o primeiro obstáculo da dupla: a televisão estava se popularizando e seus realizadores não sabiam ainda se a transposição daria certo. A aposentadoria de Fred Quinbs e a decisão de Hannah e Barbeira de fazer desenhos para TV levou ao fechamento da divisão de desenhos animados da MGM. Até o inicio dos anos 60 as aventuras de Tom e Jerry ficaram interrompidas, foi quando a MGM chamou o produtor Gene Peitch para reativar a perseguição do gato e do rato. Mas o baixo orçamento e a mudança de animadores fez a qualidade do desenho cair sensivelmente e o resultado foi de apenas 13 episódios entre 1961 e 1962.
Em 1963, Chuck Jones, ex-animador da Warner Brothers, foi contratado para colocar ordem na casa. Os personagens foram remodelados e o sucesso durou por mais de 34 episódios, mas a MGM decidiu encerrar a produção novamente. Esse hiato durou até 1975, quando Hannah e Barbeira retomaram os personagens e suavizaram a violência. Nesta fase Tom e Jerry eram amigos e passaram a resolver casos de mistério. A idéia não agradou muito aos fãs. Pouco tempo parou novamente de produzir os desenhos devido a baixa audiência. Em 1989, para resgatar as antigas idéias, surgiu Tom e Jerry Kids, filhos de Tom e Jerry que fazia as mesmas peripécias de seus pais em perseguições sem fim. Em 1993, foi lançados Tom e Jerry – o filme, onde eles passaram a falar e tiveram um melhor acabamento nos desenhos de animação. Com um tempo de 84 minutos o filme tem até versão em DVD. Em 2002 também foi produzido o filme “Tom e Jerry e o Anel Mágico” que conta a aventura da dupla com um anel que tanto pode salvar o mundo como destruí-lo.
São mais de 300 episódios que passaram em veículos diferentes (cinema e TV), por animadores e produtores diferentes, que até hoje são reprisados e assistidos com a mesma empolgação de outras gerações. Tom e Jerry devem estar perseguindo um ao outro em algum lugar, mantendo acessa a fama da dupla até hoje.
Muitas pessoas se contentam em passar o fim de semana debaixo da coberta e na frente da televisão. Viajar é uma opção para deixar essa vida ociosa para trás. É só guardar um dinheiro, colocar a mochila nas costas e se preparar para uma aventura.
Para quem nunca experimentou o Ecoturismo, ir para Rio de Contas é uma boa escolha. A cidade situa-se na Chapada Diamantina, porém não é tão famosa quanto Lençois. Suas construções e ruas do século XVIII foram tombadas pelo patrimônio histórico e são conservadas até hoje. Foi a primeira cidade planejada do Brasil, em 1745, época do apogeu do ouro que parecia inesgotável.
A aventura passa por cachoeiras, trilhas e picos de até quase 2000 metros de altura. Tudo muito bem emoldurado com uma variedade, quase infinita, da flora local.
O clima da cidade é seco e quente na parte baixa, temperado e frio nas partes serranas e nos gerais. Durante o dia a temperatura se mantém elevada, um protetor solar é muito bem vindo para os que vão se aventurar a caminhar pelas estradas que levam às cachoeiras. Já no período da noite a temperatura cai bastante, o melhor mesmo é jantar, andar pela cidade, tomar um banho quente e deitar debaixo dos cobertores.
A melhor época para visitação é entre dezembro a março, período de chuvas, quando o fluxo de água é maior, proporcionando assim, melhores banhos de cachoeira,.E, falando em cachoeira, existem várias em Rio de Contas que se pode chegar a pé, sem guia turístico. Deixe a preguiça de lado e desça uma estrada de terra. Alguns minutos depois, estárá em uma delas: a Cachoeira do Fraga. Qualquer elogio é pouco para esta queda d'água no Rio Brumado onde forma piscinas naturais ótimas para banho.
Um dos lugares mais conhecidos de lá é o Pico das Almas. Para os que gostam de escaladas e caminhadas mais pesadas, esse passeio é mais uma possibilidade de aventura. A altura dele é de 1958m, por isso, é necessário a ajuda de um guia. Um outro cartão postal da cidade, a Igreja Nossa Senhora de Santana foi construída por escravos por volta do século XIX. Ela permaneceu em ruínas por cerca de 50 anos, o que facilitou a retirada de pedras para a construção de algumas casas vizinhas.
O que não pode faltar na mochila é a máquina fotográfica, a cidade esbanja cenários inesquecíveis.
O humor do teatro baiano é tão singular que virou característica marcante das peças aqui produzidas. A alegria, a sátira, a ironia e as metáforas estão impregnadas na arte de fazer teatro na Bahia, seja lá qual for o tema do espetáculo.
Não é diferente em “O vôo da Asa Branca” ou “Luiz Gonzaga, O Rei do Baião”, espetáculo musical que conta a vida do músico e compositor pernambucano, reconhecido em todo Brasil como figura ilustre da cultura sertaneja.
Dirigido por Deolindo Checcucci, “O Vôo as Asa Branca” conta com cerca de 30 profissionais que fazem um trabalho de construção de cenário com cercas feitas de varas e palhas, com a intenção de ficar o mais fiel possível dos lugares onde Luis Gonzaga passou e viveu e com diálogos e performances que contam toda trajetória do Rei do Baião: ainda no sertão, quando era menino, admirando seu pai e aprendendo com ele a tocar sanfona, para o desgosto da mãe que não aprovava. Depois quando decidiu largar a cidade de Exu, onde nascera em 1912, ao alistar-se no exército e participar de várias batalhas da Revolução de 30. Já no Rio de Janeiro, onde fixou moradia em 1939, a peça narra sua decisão de ganhar a vida como sanfoneiro, das primeiras participações de programas de rádios e TVs, quando ainda encontrava dificuldades e preconceitos, até então ter seu talento reconhecido quando ganhou nota máxima no programa de calouros de Ary Barroso, o “Vira e Mexe”.
Enfim, através da linguagem de cordel, das zabumbas, dos acordeões e triângulos, a história de Luiz Gonzaga do Nascimento vai se desenrola arrancando muitas risadas de quem assiste a peça e emociona até quem não for fã do músico mas que o reconheça como um dos maiores ícones da nossa cultura.
“O Vôo da Asa Branca” recebe apoio do projeto Encena Brasil – Teatro e Cinema, vinculado ao programa Avança Brasil, que fornece alimentação, hospedagem e passagens para circular por todo o Brasil. O espetáculo também já foi indicado para participar de festivais internacionais.
Nota: 9.0

Na periferia de Belo Horizonte, um mestre de capoeira chamado Ramon formou um bloco de percussão com crianças e adolescentes do bairro em que morava em meados dos anos 90. O intuito era a agregação e integração social dos jovens, que além da escola não tinham outros afazeres. Aos poucos, o projeto social que animava as ruas do bairro no final de semana e era sustentado por membros da própria comunidade, foi revelando garotos talentosos, que anos depois formaram a banda Berimbrow.
O Berimbrown tem o clima dos bailes dos anos 70 e sob influencia de James Brown, Bob Marley e do considerado mestre da soul music brasileira Gerson King Combo, os doze intregantes, incluindo Ramon, mais conhecido como Mestre Negoativo, tocam uma mistura de soul, congado, samba, reggae, funk com letras de temas sociais e falando de sentimentos também.
Lançaram o primeiro álbum em 2000 de forma independente, financiado por uma empresa de informática, uma companhia de ônibus e um bar. Já contratados pela gravadora Obi Music, surgiu o “Aglomerado”, segundo cd que chegou a alcançar 6000 cópias vendidas e proporcionou a banda apresentações em outros estados do país. O “Aglomerado” é um mesclado de ritmos com participações de Sandra de Sá e Thaíde, que ajudam a incrementar mais ainda as canções de batuque e gingado do Berimbrown.
Embora seja um som diferente dos feitos pela maioria dos jovens de hoje e com melodias que tratam de assuntos sérios, a música que o Berimbrown faz não é novidade, mas a banda merece respeito pela iniciativa e pelos projetos sociais que sustenta. O Projeto Kilombola, por exemplo, foi fundado no inicio de 2002 pelo Mestre Negoativo com o ideal de realizar um programa onde a música fosse o diferencial de resgate à cidadania. Esse projeto dá assistência a educação de cerca de 100 crianças de bairros periféricos, valorizando e fazendo um resgate das influências da nossa cultura.
Nota: 7,8

O final da década de 80 foi um divisor de águas para a Alemanha: o muro de Berlim é derrubado, o sistema socialista de uma parte dá lugar ao capitalismo e a cultura alemã toma novos rumos.
O mundo inteiro acompanhou estas mudanças históricas pela televisão, porém teve uma pessoa que não viu absolutamente nada da súbita metamorfose do país.Christine Kerner, uma militante comunista que passa mal e entra em coma ao ver seu filho, Alexader ser preso em uma passeata.
Este é o ponto de partida do filme alemão Adeus, Lênin! (Goodbye Lênin!, 2003), drama-comédia do diretor Wolfganger Becker que fez sucesso no mundo inteiro e revitabilizou o cinema germânico.
A Srª Kerner (Katrin Sass) acaba perdendo, assim como os diversos socialistas, tudo que acreditava, todas suas militâncias que tanto defendia fazia parte agora da poeira dos restos do "muro da vergonha". Mas ela ainda não sabe disso, já que tudo acontece nos dias que esteve desacordada. Ao despertar do coma, o médico alerta aos familiares que qualquer emoção forte poderia levá-la a morte. Seu filho, Alex (Daniel Bruhl) tem uma idéia de maquiar a realidade. Junto com seu amigo Denis (Floriano Lukas), produtor de vídeos amadores nas horas vagas, eles recriam um telejornal, enchem a casa de produtos alimentícios da era comunista quase que já extintos no mercado e, toda família, vizinhos e amigos fingem que o capitalismo ainda não passou pelas fronteiras alemãs.
Uma das principais virtudes do filme é fazer piadas do próprio país sem ser algo destrutivo. Muitas vezes rir de si mesmo é o melhor remédio para exorcizar os fantasmas do passado.
Nota: 8,2

Quando começamos a dividir nossa vida em décadas, percebemos o quão estamos ficando realmente velhos. A cada ano que passa, vamos tentando viver experiências novas que irão somar no conhecimento de mundo de cada um. Sempre fica, porém, um pouco de nostalgia das coisas do nosso cotidiano.
Os anos 70 tiveram toda aquela cara da música disco e o rock vivia seu auge de criatividade, a moda se dividia entre os hippies e os conservadores, os computadores ainda eram aquelas máquinas que ocupavam uma grande sala e a alegria era viver com mais liberdade, pouco experimentada até então. Assistir à televisão se restringia às famílias ricas e criança brincar nas ruas.
Os anos 80 foram marcados pelas modas que prezavam pelo visual indiscreto e penteados não menos que espalhafatosos. A música vivia uma época de inovações, que misturava sons eletrônicos, muito teclado e refrãos pegajosos; o rock brasileiro viveu seu auge nessa época. Nos domingos chuvosos a diversão era jogar Atari e comer o chocolate Lolo.
Tudo bem, e o que os anos 90 nos trouxeram? Uma melhora considerável no guarda roupa, é bem evidente. Uma maior praticidade para a vida, em que a palavra de ordem é diminuir o tamanho dos objetos de uso diário. Os jurássicos discos de vinil foram substituídos pelos CDs e os computadores agora cabem na palma da mão. Porém os resquícios da década de 90 devem demorar a se apagar de nossas vidas, senão, vejamos: qual foi a última vez quem você jogou paciência com cartas reais? Surfamos e contactamos, via chats várias vezes por dia, com desconhecidos do mundo inteiro, mas não falamos nenhuma vez com o nosso vizinho do lado, este ano. Já percebeu que temos 15 números de telefone diferentes para entrar em contato com uma família de 3 pessoas? Se compramos um PC novo, dentro de uma semana já está ultrapassado. O motivo pelo qual perdemos o contato com amigos e colegas é porque eles têm um novo endereço de e-mail. Dizemos o nome da empresa onde trabalhamos quando atendemos o telefone. A maioria das piadas que conhecemos, recebemos por e-mail.
Os anos 90 foram vividos sob uma manta de falta de criatividade. Porém, com uma grande percepção para reinvenções que se utilizavam da nostalgia e dos objetos de desejo de décadas passadas. Tudo feito com a simples preocupação de divertir, e não inovar, já que nada mais se cria, tudo se transforma em algo arrojado e, por vezes, nos remete a algo já visto em algum lugar do passado.

Chico Buarque há anos vem se revelando um artista dividido entre a música e a literatura, com passagem pelo teatro e cinema. Porém todas as suas obras carregam o tom melódico e poético das suas composições e interpretações. Não foi diferente em Budapeste, lançado no ano passado pela editora Cia das Letras. O sétimo feito literário de Buarque traz uma narrativa leve, polifônica, com uma ótima estrutura, e revela mais uma vez a paixão do autor por diferentes idiomas e principalmente pela cidade do Rio de Janeiro.
O livro conta a historia de José Costa é um ghost writer conformado com seu anonimato que, ao voltar de Istambul numa escala não planejada em Budapeste, se depara com o húngaro e se apaixona pelo mistério e perplexidade da língua. Nessa buca pelos significados do idioma, José abandona sua mulher, filho e sócio e vai ao encontro de Kriska, sua professora e depois amante, que o acolhe no seu novo país, a Hungria. Entre as idas e vindas de Budapeste para o Rio e vice- versa, Costa nos mostra a beleza dos sentidos das palavras, suas faces, encantamentos e fascínios. O narrador faz uma “viagem” obcecada e inconseqüente pela linguagem do idioma húngaro e português, mas que te proporciona conhecimento e experimetos inéditos, mudando sua vida radicalmete.
O personagem principal se confunde com o autor. Assim como Chico Buarque, José Costa sente a necessidade de quebrar os limites dos estilos, é apaixonado pelas palavras, é um escritor recatado que foge da mídia, dos jornalistas, de polêmicas e prefere viver uma vida tranqüila, embora inquieta intelectualmente.
No livro Chico fala das húngaras e de Budapeste, detalhes da cidade, como nome de ruas, de colégios e museus com tanta precisão que parece ter vivido lá por muito tempo. Mas o curioso é que ele nunca foi à Hungria, o cenário húngaro é inventado de maneira tão convincente que chega a assustar tamanha criatividade. Portanto Budapeste demorou três anos para ser concluido, característica do autor que escreveu os dois romances anteriores, Estorvo (1991) e Benjamim (1995) em dois anos.
Com uma tiragem de 50 mil exemplares, Budapeste esgotou seus exempleres em muitas livrarias, o que faz o romance poder se tornar um best seller da nossa literatura. E Chico Buaque um escritor cada vez mais respeitado.
Nota: 8,8

Misture a batida dark do Depeche Mode, o peso do Ministry, a força da língua alemã e teremos Rammstein.
A imprensa gemânica na tentativa de dar um rótulo ao som da banda chegou a dizer que eles fundem “Industrial Rock” com “Electro Body Music” e “Metal”. Há os que dizem que seja “Ianzmetall” (!). O próprio Rammstein tenta resumir isso chamando o estilo deles de “Dance Metal”. Bem, como diria Michael Stipe, vocalista do R.E.M., “Rótulos são para remédio...o que importa é o som.”
Em 1993 seis amigos na Alemanha Oriental, a maioria deles de Berlin, se juntaram na tentativa de fazer um som diferente. Till Lindermann (vocal), Paul Landers e Richard Kruspe (guitarras), Oliver Riedel (baixo), Christoph Doom Scnneider (bateira) e Flake (teclados) tinham em comum o gosto por sons estranhos e pesados; além, claro, da banda alemã de música eletrônica Kraftwerk (pioneiros neste estilo musical).
Depois de pensarem bastante, chegaram ao nome Rammstein, que existe algumas versões para o nome. Nenhuma confirmada pela banda. Uma delas é a homenagem a uma cidade Ramstein (com um ‘m’ só) que foi atingida por bombardeios americanos durante a segunda guerra mundial, e onde também houve um desastre deixando dezenas de mortos numa apresentação de acrobacias áereas. A outra versão é que se trata de uma tradução livre de algo como “Ariete de Pedra”.
Em 1996 conseguiram lançar o primeiro disco, batizado de Herzeleid. As caracteristicas do som já mostravam seu poder logo nos primeiros minutos de música: sequências bem pesadas com outras de melodias singelas. Se destacam as músicas: Asche Zu Asche, que trata do ataque à cidade supracitada de forma real e poética; a faixa que dá nome ao disco, Hezerleid trata da tristeza e do pouco tempo que as pessoas dispõe umas para as outras,
O segundo disco, Sehnsucht, chegou nas lojas no primeiro semestre de 1997 e colocou o Rammstein como uma das banda que mais vende discos no mundo cantando em sua língua natal. O que impulsionou esse status foi a escolha de três músicas da banda para a trilha sonora do filme Estrada Perdida (The Lost Highway, 1996) de David Lynch.
O diretor recebeu um CD e a proposta do sexteto para dirigir um clipe deles, porém Lynch estava no Brasil promovendo seu filme. Ele próprio acabou escolhendo três músicas para entrar na trilha que estava para sair.
Este segundo disco continua o mesmo estilo do Herzeleied, letras que são poesias intimistas e instrumental poderoso. Em Sehnsucht destacam-se as faixas Du Hast (presente na trilha sonora de Estrada Perdida), Engel e Speil Mit Mir.
Em 1999 a banda lança o disco ao vivo Live Aus Berlim, em versões Cd, DVD e VHS. Que acaba sendo um aperitivo para o disco de estúdio seguinte. Matter é o quarto disco do Rammstein, entregando uma das melhores músicas da banda: Sonne. O belíssimo clip resume o que a Alemanha passou por muitos anos; os integrantes são mineiros que trabalha para sustentar o Estado e uma estonteante Branca de Neve representando o domínio estilo “mãos de ferro”.
Rammstein é assim, poderoso e lírico ao mesmo tempo. Estes alemães conseguiram quebrar um pouco mais a hegemônia das músicas cantas em inglês. Só por isto a banda já merece uma conferida.

O pequeno Vilarejo de Javé está para desaparecer sob as águas de uma grande usina hidrelétrica. A construção da usina no rio que margeia a cidade é motivo de desespero para os habitantes, que adotam uma estratégia bastante incomum para preservar a existência do lugar. Unidos em uma “assembléia”, os moradores decidem preparar um documento contando os acontecimentos heróicos de Javé. A intenção é fazer com que o governo reconheça o vilarejo como patrimônio histórico salvando-a da destruição. Como a maioria dos moradores é analfabeta cabe a um “escritor de cartas” odiado na cidade pelas suas fraudes realizadas no Correio, realizar a tarefa mais importante da história de Javé. É aí que toda confusão começa...
Esse é o longa metragem “Narradores de Javé” (2003), gravado em Gameleira da Lapa, interior da Bahia sob a direção da paulistana Eliane Caffé (diretora também do longa “Kenoma” (1998) e dos curtas “Arebesco” (1990) e “Caligrama” (1994). Vencedor de muitos prêmios como o de Melhor Filme no Festival do Rio, Prêmio da Crítica, na Suíça e 7 troféus Calunga, inclusive de Melhor Direção, o filme é simples e sem muitos efeitos. Portando a graça fica por conta dos diálogos e dos personagens, que nos causa a impressão de que Javé realmente existe e que os atores são, de fato, seus habitantes. Nas falas foi valorizados o sotaque, a língua e as peculiaridades nordestinas. Os atores são tão espontâneos que se incorporam aos personagens de uma maneira surpreendente. O figurino é sem exageros, simples como se é nas cidades mais interioranas e
Acompanhando a boa fase cinematográfica do Brasil, Narradores de Javé, é mais uma prova do aumento de produções brasileiras de qualidade e a valorização desta arte que têm recebido cada vez mais incentivos e patrocínios. Seus 100 minutos de duração são capazes de fazer rir e chorar e conta com a presença de atores consagrados do cinema nacional como Matheus Nachtergaele ,Gero Camilo, Nélson Xavier e Nelson Dantas.
Nota: 8,5
River Raid, Enduro, Pega-Ladrão e Declaton foram alguns dos sucessos vindos do jurássico vídeo-game Atari. Se vistos hoje, percebemos o quanto os gráficos eram pobres e os sons não passavam de alguns barulhinhos. Porém, os joguinhos enchiam os olhos e a imaginação da criançada do fim do anos 70 até meado dos 80.
Os jogos de fliperama de vídeo foram lançados no início dos anos 70 e se espalharam rapidamente pelos parques de diversões e bares. Por isso era inevitável que aparecessem as versões caseiras, e em 1975 o Atari lançou Pong, no Brasil conhecido como Paredão, e se transformou num grande sucesso de vendas. Só que os jogos vinham gravados nos consoles e não acontecia a mudança de cartuchos, essa tecnologia foi desenvolvida em 1976, pela Fairchild Camera and Instrument.
A resposta da Atari veio em outubro de 1977, quando foi lançado o Atari VCS (Video Computer System) que oferecia apenas nove jogos em cartucho. Logo depois foi chamado de Atari 2600. Simplesmente foi um furacão de vendas e conseguiu dominar o mercado por anos.
Depois de sucessos como Asteroids, Space Invaders, Spacewar, Outlaw, e Breakout veio o Pac Man, nome original de nosso saudoso Come-Come, e o jogo do filme E.T. foram lançados em 1982. A expectativa era grande, já que o Pac Man dos fliperamas era de grande sucesso. Porém, tudo ficou aquém do esperado. As vendas foram boas, só que a crítica achou que a transposição do fliperama para o Atari foi pobre em efeitos e sons.
Em 1984, o império chamado Atari começou a declinar. Com tanta concorrência, o preço começou a cair, o que se vendia por mais de 100 dólares passou a valer minguados 45 dólares. Mesmo com a promessa de mais jogos com gráficos e sons melhores para o 2600, muitos começaram a imaginar o fim da indústria dos vídeo games e a empresa tentou uma última cartada, lançou o Atari 7800. Não deu certo.
Em 1989, as vendas caíram progressivamente, até que na América Latina parou sua produção, bem como em outros lugares do mundo. Os Estados Unidos ainda tentavam manter o botão do power do 2600 ainda ligado, já que tentavam manter sua produção.
Existem inúmeros fãs do 2600 ao redor do mundo que guardam na memória, e também no armário, um aparelho de vídeo game que por tanto tempo levou imaginação, aventura e alegria a tantas pessoas, fossem elas adultas ou crianças.
O preconceito racial no Brasil está enraizado na nossa cultura devido à escravidão praticada sobre os negros no processo inicial da colonização do país. A literatura, nesse contexto, sempre foi presente, muitas vezes denunciando, outras apenas relatando, mas sempre fazendo um painel da sociedade através dos tempos.
Entre os que defenderam as causas contra o preconceito e que a realizou de forma mais critica e até ressentida, está Lima Barreto, que era obsessivo nas investigações sobre o assunto. Nascido em 1881 no Rio de Janeiro e mulato, Afonso Henriques de Lima Barreto ingressou no curso de Engenharia Politécnica, mas largou os estudos para cuidar do pai mentalmente doente. Trabalhou na Secretaria da Guerra, melhor fase financeira da sua vida. Nunca se casou e, como a maioria dos escritores da época, sofria com as contradições do início do século,além de ser vítima também do preconceito, se entregando ao alcoolismo e à depressão até sua morte em 1922 de colapso cardíaco aos 41 anos.
No mesmo ano de sua morte, Barreto havia concluído uma das suas obras mais conhecidas: o romance "Clara dos Anjos". A história do livro conta à vida de uma mulata do subúrbio carioca (lugar que o autor conhecia muito bem), filha de um carteiro, que mesmo estando sobre os cuidados excessivos de seus pais, foi iludida, seduzida e depois desprezada por um rapaz branco de uma classe social menos inferior que a dela. É uma narrativa que tenta mostrar o drama de outras tantas moças que pela cor da pele e situação social eram usadas e subestimadas, ações que interferiam nos esforços dos negros de elevar sua situação social e moral. Portanto, Clara dos Anjos se torna um objeto de denúncia mais do que uma personagem dentro do romance. Nada que prejudique o desenvolvimento da história que é acompanhada por dramas secundários relacionados também à discriminação racial.
No ano de nascimento de Lima Barreto, Machado de Assis e Aluízio de Azevedo, introduziam respectivamente o Realismo e o Naturalismo na literatura nacional com os romances “Memórias póstumas de Brás Cubas” e “O Mulato”. O romancista viveu na faixa de transição destas duas vertentes literárias para o Modernismo, o que explica as características das suas obras, como a do pensamento nacional, a crítica, as denúncias, o determinismo e a análise psicológica dos personagens.
Nota: 8,5
O caminho do Skank foi longo...A banda mineira Skank sempre demonstrou ousadia de um disco para o outro. Logo no disco de estréia, em 1993, deu para perceber o potecial do quarteto ao fazer reggae com uma levada pop bem brasileira.
No ano seguinte, com o disco Calango veio o reconhecimento nacional. Músicas como "É Proibido Fumar", "Te Ver", "Pacato Cidadão" e "Jackie Tequila" viraram verdadeiros hinos em seus shows.
Em 1996 a banda lança O Samba Poconé e começou as demostrações de muadança de estilo. Apesar de "É Uma Partida de Futebol", "Garota Nacional" e "Eu Disse a Ela" remeter aos sucessos antigos, a sonoridade da banda já não transitava pelo reggae e sim por um pop rock bem próprio.
A tentativa de mudar de estilo veio em doses homeopáticas. Dois anos de silêncio e veio a resposta. E com a música "Resposta" eles começaram a mudar a mentalidade de seus fãs. Canções dançantes (e divertidas) como "Mandrake e os Cubanos" e "Saideira" mantiveram o Skank no topo.
De disco e visual novos, a banda entrega Maquinarama (2000). Conseguem lançar hits com a mesma força de ínicio de carreira, porém com um vigor maior na composição das canções. É escutar "Três Lados", "Balada do Amor Inabalável" e "Canção Noturna".
Para comemorar os 10 anos de banda, o Skank grava sua melhores músicas (e alguma inéditas) e recebe um grande presente de aniversário: milhares de pessoas fora conferir a apresentação. O MTV Ao Vivo ganha também uma versão caprichada em DVD.
A simpatia dos integrantes do Skank só faz provar ainda mais que o grupo tem muita estrada para percorrer, muitos shows para celebrar a diversão e a alegria, muitos discos para lançar e muita Resposta para lançar àqueles que insistem em afirmar que a banda não tem personalidade. Isto eles têm, e de sobra.
O premiado filme de Steven Spilberg “Lista de Schindler” (Schindler List, 1993) entra este ano na relação dos clássicos que ganham versão em DVD.
Baseado no livro de Thomas Keneally, Lista de Schindler conta a história de Oskar Schindler, um comerciante no mercado negro, um homem oportunista, que mesmo sendo membro do Partido Nazista, foi preso muitas vezes pelo regime, mas logo era libertado devido aos diversos contatos que obtinha. Portanto Schindler tinha compaixão às pessoas inocentes que sofriam com a II Guerra Mundial e gastou toda sua fortuna para salvar mais de mil judeus dos campos de concentração nazistas.
Vencedor de 7 Oscar das 12 indicações, incluindo o de Melhor Filme e Diretor, entre outros prêmios, o DVD vem com um menu interativo bem interessante. Além da Seleção de Cenas, tem 77 minutos de um documentário com depoimentos de judeus salvos por Schindler e a história da Shoah Foundation, uma fundação que se dedica a combater o racismo e incentivar a tolerância entre os povos.
O filme mostra toda amargura dos judeus e a preocupação de quem se dedicava a ajudar as vítimas do terror causado pelo nazismo, em 193 minutos de um DVD duplo, que mal foi lançado no mês passado e em alguns sites e já esgotaram exemplares na pré venda.
Com Liam Neeson, Ralph Fiennes e Bem Kingsley, "Lista de Schindler" é uma boa opção para quem gosta de um bom drama e quer rever um clássico do cinema cheio de boas novidades.
Nota: 9,0